2 de outubro de 2026, 2 min de leitura
O que é fadiga em turnos e por que ela é um risco operacional

Fadiga é uma condição fisiológica. Ela pode ser crônica ou prolongada e é intrínseca ao trabalho em turnos: quem trabalha de madrugada ou alterna horários dorme menos e pior do que o corpo precisa.
Como ela se forma
Duas forças atuam ao mesmo tempo. A primeira é a necessidade de sono, que aumenta quanto mais tempo a pessoa fica acordada. A segunda é o ritmo circadiano, o relógio biológico que faz o alerta subir e descer ao longo das 24 horas. Quando a privação de sono e o relógio biológico se desencontram, o equilíbrio entre a necessidade de dormir e o nível de alerta se desfaz.
Quatro efeitos que pesam na operação
- Decisão: redução drástica na capacidade de tomar decisões complexas.
- Atenção: lapsos e microssono, interrupções críticas de segundos.
- Comunicação: falhas ao se comunicar e alterações de humor.
- Memória: piora da memória e desequilíbrio hormonal, com cortisol elevado e melatonina suprimida.
Por que é um risco operacional
Em operações com atividades críticas, esses efeitos aparecem justamente quando o custo do erro é maior. Por isso a fadiga não pode ser tratada apenas como cansaço individual. Ela é um fator de risco que pode ser previsto, avaliado e gerenciado, inclusive dentro do gerenciamento de riscos da NR-1. Revisões da literatura associam o trabalho em turnos a maior fadiga, à alteração do ciclo circadiano e a lapsos de atenção e memória (Moreira e de Lucca, 2024).
O caminho
O primeiro passo é medir. A previsão do nível de alerta de cada pessoa nas próximas horas permite ajustar escalas e antecipar contramedidas antes de o limite ser atingido.
Fontes e leitura recomendada
- Amanda Sorce Moreira e Sergio Roberto de Lucca. Fadiga física e mental no trabalho em turnos e estratégias para mitigação: uma revisão integrativa. Revista Brasileira de Medicina do Trabalho, volume 22, número 4, 2024.